domingo, 16 de agosto de 2015

Paris-Brest-Paris-2015- Le Magnifique Audax

Depois do dia 27 de junho de 2015 após completar com sucesso o Brevet de 600km em Holambra novas oportunidades foram se abrindo, mas confesso não estava preocupado com isso. Minha meta após os 600 era de completar o Brevet das Bandeiras com 1000 km esse seria meu maior desafio do ano. Mas após conversa com alguns amigos uma luz acendeu e com ela a oportunidade de ir para França correr a Paris-Brest-Paris 2015, prova esta com 1230 km, minha esposa me incentivou já na primeira conversa, até porque não conseguimos prever como vamos estar daqui a 4 anos.
Consegui me preparar bem, aqui na minha região o terreno tem muita elevação e o clima é bem frio, o que me proporcionou uma boa experiência. A logística da prova é bem grande, eu não tinha passaporte, nunca tinha viajado para o exterior não falo francês. Minha vida mudou bastante, comecei a fazer um curso de francês pela internet (duolingo), comecei a estudar tanto os mapas de rota da prova quanto os mapas de trem e metro de Paris, afinal estaria sozinho. Fui duas vezes para São Carlos, primeiro para fazer a documentação do passaporte, depois para buscar, nessa segunda viagem aproveitei para pegar emprestado o case bike do amigo Ique Moreira de Piracicaba. Comprei as passagens num preço bom e fiz inscrição para prova, mas não paguei nada, pois não sabia se ia dar tempo do passaporte ficar pronto.
Nos últimos dias para finalizar a inscrição tudo estava caminhando bem, foi então que tentei pagar a inscrição, mas o site do paypal não aceitava meu cartão de forma alguma tentei de toda maneira mas nada, já havia desistido então postei no grupo do whatsup se alguém poderia me ajudar. Neste momento o Roberto Avellar na hora se prontificou e pagou minha inscrição com o cartão de sua esposa Simone, fiquei muito feliz, pois hoje em dia é muito difícil confiar nas pessoas dessa maneira (principalmente por não nos conhecermos), logo já fiz a transferência do valor pra ele. Tudo certo com a viagem solicitei 10 dias de férias no trabalho, então era só esperar.
Sai para viagem no dia 11 de agosto uma terça-feira, as 9:00 da manhã de Divinolândia com destino a Guarulhos, o amigo Romerito que dirigia o carro da prefeitura. Chegamos ao aeroporto as 13:00h, aproveitei para comer um lanche no Bob’s, fiz o check-in e embarquei as 17:30. Minha viagem não foi das melhores, não gostei da comida do avião e fiquei meio passado com os horários, tinha Dramin na mochila, mas não me lembrava que ele dava sono também.
 A viagem foi bem cansativa, com poltronas bem apertadas pelo menos pra mim com 1,84 de altura. Cheguei a Paris no Charles de Gaule as 9:30 da manhã do dia 12, no terminal 2F, me dirigi até o terminal 1 onde teria de esperar o Rafles e o Avellar até as 15:30, comi um lanche e fiquei rodando pelo aeroporto para passar o tempo. Logo também chegou o Yohan, taxista primo do Caetano, pessoa muito atenciosa, nos levou até Plaisir no Hotel de Gatinnes e nos ajudou no check-in, tudo estava dando certo pois eu iria ficar sozinho no quarto, então ficamos eu e o Avellar num quarto e o Rafles e o Edson no outro. Encontramos depois com Richard, Silvia e Paulinho, fomos até o supermercado de depois descansar, neste momento ainda não estava bem, estava como um pouco de receio de comidas. No outro dia chegou o Akira, o Hamilton e mais alguns brasileiros.
No dia 13 quinta-feira, tomamos café e fomos para Paris, o Richard nos deixou na estação de trem compramos um bilhete diário por 16 Euros que servia tanto para trem como para metro. Chegando em Paris fomos até a Torre Eiffel como eu não estava bem subi até o segundo andar e fui comer um lanche (Jambon presunto e fromage queijo, com coca cola). 
Na torre encontramos o Smiling e a Dona Rosa, passeamos na Champ Elise e conhecemos algumas lojas, nos digirimos até o Arco do Triunfo, tiramos muitas fotos ( O Rafles adora uma selfie). Depois pegamos o metro e fomos jantar na La Mafiosa (lugar muito aconchegante) de uma amiga brasileira do Raniel, comemos ótimas pizzas inclusive uma de Parma, o azeite também muito bom, mas apimentado, depois de muita conversa, para fecharmos a noite com chave de ouro brindamos com uma champagne francesa.
No dia 14 sexta feira, saímos cedo e fomos conhecer o Velódromo, onde foi a largada da prova, lugar simplesmente mágico, palco de provas internacionais, com vários records da hora quebrados naquele local, dali fomos para Saint Quentim conhecer o antigo estádio onde eram feitas as largadas, almoçamos e fomos para Versalles. Entramos no jardim de Versalles e passeamos bastante (eu e o Reis tiramos as sapatilhas e andamos descalços, o povo olhava e ria dos dois) só não entramos nos castelo devido a fila estar muito grande, mas conhecemos os pontos mais bonitos do jardim, voltamos para Plaisir, no caminho passamos no velódromo e encontramos a Rosa e o Aizen, fomos até a Decathlon de Plaisir depois seguimos para Gatinnes.


Richard Dunner - Raposa
Durante as primeiras noites francesas tivemos a oportunidade de conversar e aprender com uma pessoa especial realmente um amante do Audax Richard Dunner, ele nos deu dicas, nos contou por momentos que passou em seu PBP, nos ajudou a montar as bikes, falou sobre o trajeto, sobre os pontos que poderiam ser mais complicados, durante o dia nos levou ao Centro Comercial,  Decathlon, foi essencial no contato com o hotel e as reservas, nos ajudou na comunicação/tradução em muitos momentos, sem exageros Richard foi um paizão para nosso pequeno grupo.
No sábado minha vistoria estava marcada para as 9:45, fomos para vistoria eu o Avellar, o Edson, o Paulo e a Silvia o pessoal tinha marcado uma foto de todos brasileiros as 13:00, mas como estava tudo enrolado eu e o Avellar preferimos ir embora almoçar e aproveitar o resto do dia para descansar.
Chegou o dia, Domingo 16 de Agosto, tomei um café bem reforçado, descobri que o yogurt era muito bom comi uns 5, almoçamos na Tratoria, voltamos e acabamos de fazer os últimos ajustes na bike. Nesta hora o Edson me ofereceu um farol que não ia usar e eu aceitei, (me quebrou um galhão) pois com o reserva não precisava ficar parando para trocar a pilha do meu principal. O Richard me emprestou um alforge da Vó Joaquina, muito útil, pois eu iria carregar tudo na mochila, isto me tirou com certeza um peso das costas, comprei também do Richard dois Pneus Grand Prix, um coloquei para rodar atrás e outro de reserva. Tudo pronto nos dirigimos para o Velódromo.

A Prova
Eu e o Avellar entramos no espaço do velodrome por volta das 16:30, passamos pela vistoria e largamos as 17:30 do domingo 16 de agosto, Grupo G, muito emocionante o povo todo gritando e torcendo aquilo tudo aumentou a adrenalina e com isso largamos muito forte, depois de ter rodado uns 30 kms deu problema no pneu do Avellar e distanciamos.
-1º PA – ponto de apoio- Cheguei com forte dor de cabeça por volta das 0:00, o cheiro da comida me embrulhou o estomago, comprei um salgado e um doce e 2 litros de água, comi, logo sentei atrás de uma placa onde não tinha ninguém  tomei um remédio e fiquei por ali por cerca de 20 minutos, enchi as caramanholas e segui viagem, durante o caminho encontrei do com Rafles, Carlos Reis e o Fabrício e tocamos até o PC1, como estava frio decidimos descansar ali.
-PC 1-Posto de Controle, Villaines-la-Juhel – Cheguei as 03:51 da segunda 17/08
Paramos a bike carimbamos o passaporte, sentamos um pouco no chão, decidimos dormir um pouco, pagamos 2 Euros para dormir, uma boa espuma e um cobertor, um sono muito bom tinha apenas nós 4 mais dois estrangeiros, silêncio, acordamos e saímos ainda no escuro por volta das 6:00, com muita neblina e frio. O Carlos estava um pouco esgotado com muita fome, deixei o Fabrício o Rafles na frente e fiz companhia por alguns quilômetros para o Reis, paramos em La Ribay para um lanche rápido, mas depois vendo que ele estava bem continuei sozinho, até encontrar o Rafles e o Fabrício, trocando o pneu da bike, esperei por eles, e rodamos um tempo junto, como estava bem aproveitei para puxar o ritmo até Fougeres. Neste primeiro PC já fomos apresentados a hospitalidade dos franceses, com muita educação perguntavam que horas queríamos ser acordados, e na hora combinada em ponto tinha alguém batendo bem devagar nos ombros e dizendo que era hora de levantar.
Rafles, Reis, Nicolau, Guarini e Smy
-PC 2- Fougeres – Em Fougeres parei para almoçar por volta das 11:30, lá encontrei o Paulinho e o Guarine, descansei um pouco na partida vinham chegando Luciana, Raniel, Márcia e mais alguns que não conhecia, o tempo estava ameno e bom para pedalar então segui num ritmo bom. Então segui para Tinténiac.
-PC 3- Tinténiac – Cheguei em Tinténiac por volta das 15:30, fiz uma parada rápida comi um pão com presunto e queijo e segui adiante.
-PA2 Quédillac – Cheguei em Quédillac por volta das 16:30, comi o tradicional pão com linguiça e coca-cola, enquanto eu comprava água chegou o Smiling e logo o Aurélio decidimos pedalar junto e fizemos até a Bretanha lá encontramos o Horta, a Bretanha foi um dos lugares mais interessantes da prova, pois os moradores locais faziam questão de parar para cumprimentar, bater palmas, gritar o “Allez” “Courage”, ainda ofereciam café e biscoitos, foi muito legal paramos para conversar e tirar fotos. Um pouco mais adiante percebi que havia perdido o foco e meu tempo de prova começou ficar apertado, o Aurélio tocou no ritmo dele e graças ao Smiling conseguimos pedalar forte até Loudeac.
-PC 4 Loudeac- Eu e o Smiling chegamos em Loudeac as 20:30 era o PC dos dropbags e onde muitos de nossos amigos iriam dormir, na saída encontramos o Horta mais uma vez onde disse que estava pensando em desistir devidos a fortes dores. Partimos então para Carhaix, sabendo que no caminho ainda teria um PA caso precisássemos descansar.
Foi um dos pedaços mais complicados emocionalmente da prova, pois durante a decida para Saint Nicolas passamos por um participante que havia caído, alguns guardas tentavam fazer o socorro, no momento faziam massagem cardíaca e tentavam a reanimação, mas sem sucesso, aquela cena abalou muito tanto eu quanto o Smiling.
PA 3-Saint Nicolas du Pélem - chegamos em Saint Nicolas por volta das 23:45 e o pessoal da organização preferiu não dar muitas informações sobre o acontecido, só confirmaram o falecimento do participante. O Smiling estava muito cansando, eu também, mas conversamos e optamos por chegar até Carhaix pois era uma distância de 78km assim poderíamos dormir e no outro dia partir para Brest. Partimos para Carhaix e no meu do caminho optamos por seguir um pelotão de Búlgaros estavam muito rápidos e talvez a adrenalina eu e o Smiling seguimos, estavam pedalando tão forte que passamos pelo Avellar e nem o vimos, nesta hora a temperatura já estava caíndo mas continuamos bem.
-PC 5 Caihaix- Chegamos em Cairhaix a 01:49, fomos dormir, combinamos de sair as 5:00, como meu tempo estava apertado decidi sair as 4:00, deixei um bilhete para o Smiling avisando, no refeitório encontrei o Avellar que estava com muito frio disse para ele usar a manta térmica forrando as pernas e os braços, acho que enquanto eu tomava o café ele partiu, logo sai também estava muito, muito frio, acabei de subir a serra, o sol vinha despontando e enfim a descida para Brest, encontrei um alemão de mais de 50 anos que pedala muito forte desci um bom pedaço revesando a puxada com ele isso numa média de 50 km/h, não consegui acompanhar e ele voou para frente.
PC 6 Brest- Cheguei em Brest sozinho as 09:15, carimbei o passaporte, e observei que carregava muito peso e isto poderia me prejudicar na subida, então joguei algumas coisas fora, como tinha muita fila no refeitório preferi comer em um lanchonete depois do PC, comi bem e iniciei a subida, mas para meu espanto o que eu tinha planejado em subir a uma média de 10 km/h achando que era uma subida muito forte , estava subindo a 20 km/h isso me animou muito pois consegui gerar uma 5 horas de folga no meu planejamento, ai voltei a curtir a prova, e tirar muitas fotografias.
PC 7 Caihaix – cheguei por volta das 13:00
PA 4 Saint Nicolas -chegada as 16:30
PC 7 Loudeac- chegada as 18:50
PA 5 Quédillac – Na volta Quédillac virou PC surpresa no qual éramos obrigados a parar, então aproveitei para ir no banheiro e abastecer de água.
PC 8-Tinténiac – Cheguei as 23:55 este com certeza foi um dos PC com pior infra-estrutura, tive de tomar banho gelado, e dormir naquelas camas de lona, o que foi sofrido, mas consegui dormir até as 5:00
PC 9 – Fougeres – cheguei a Fougeres bem cedo as 7:29, aproveitei para tomar um leite e comer alguns croissant, descansei um pouco e voltei para pista.
PC 10 -Villaines La Juhel – chegada as 12:26 com uma recepção calorosa, cidade acostumada a receber provas de ciclismo, no refeitório da escola as crianças faziam questão de carregar nossas bandejas e nos dirigir até a mesa. Este foi um dos pedaços mais fortes da prova com muitas subidas passando por Mamers até chegar em Mortagne
PC 11-Mortagne au Perche – cheguei em Mortagne as 17:12 me alimentei e não fiz parada longa, este trecho passava no meio de algumas florestas mas ainda com muita subida, depois muita reta e um terreno muito plano melhorou muito minha média.
PC 12-Dreux Cheguei em Dreux as 21:00 bem esgotado, como as pilhas e baterias do farol estavam abando como bem rápido e não enrolei para ir para o último PC, depois de ter pedalado um bom tempo sozinho reencontrei com a turma de Búlgaros e resolvi segui novamente, mesmo num ritmo mais forte pois assim conseguiria economizar o farol, assim o fizemos até uma das últimas subidas uma pouco antes de chegar no parque do velódromo, depois disso sumiram na minha frente mais como nesse momento já estava na cidade fiquei mais tranquilo e pedalei de boa. Na chegada do velódromo mais ou menos a 0:00 foi muito emocionante tinha uma fila de mais ou menos uns 500 metros de pessoas cantando, aplaudindo e parabenizando cada um que passava por ali, então no portão peguei um comprovante para deixar a bike estacionada, pois não podia entrar com ela no velódromo.
PC 13- Saint Quentin, na chegada do velódromo as 0:32, fui recepcionado pelos Amigos Aizen e Rosa, logo encontrei também o Hamilton, como não dava pra voltar para o hotel decidimos dormir ali achamos uns pedaços de pano forramos o chão e dormimos debaixo do palco.

Logo de manhã ligamos para o Yohan que de pronto nos atendeu, já estávamos saindo para o hotel caia uma chuva fina, e encontramos o Avellar que aproveitou e foi com a gente para o Hotel.
No hotel tomei um bom banho e dormi um pouco, como já iria embora no sábado comecei a arrumar as malas, o corpo todo estava bem inchado, fomos almoçar na Tratotia e passamos o resto da tarde conversando com os que chegavam. Fomos dormir cedo, pois na sexta feira era dia de curti o último dia de Paris então combinamos eu o Rafles e o Avellar de ir a alguns pontos turísticos, passamos novamente na torre, na praça das nações, na praça da bastilha e passamos o resto do dia no Museu do Louvre, visitamos a Gioconda e passeamos pelo museu que diga-se de passagem é um dos maiores do mundo, voltamos e fomos comer uma pizza para comemorar.
Na sábado meu voo era bem cedo e como estávamos longe do aeroporto tive de sair do hotel as 6:00 para fazer o check-in as 8:00 e retornar para o Brasil bem melhor que na ida.

-Agradeço o apoio do Deputado Silvio Torres, e sua assessoria de São José do Rio Pardo.
- a Prefeitura de Divinolândia e ao Prefeito Ismar de Oliveira pelo transporte cedido ida e volta ao aeroporto.
- ao tri atleta Ique Moreira Cavadera, pelas dicas de alimentação, dicas de pedalada, e pela empréstimo de pronto de seu mala bike.Valeu Ique.
- a Hidrotabs Active Hydration, pude comprovar a eficácia dos produtos GlicoFast e Hidrotabs, foram 79 horas pedalando, aproximadamente 30 garrafas de água preparadas com hidrotabs.
- ao grande Roberto Avellar Jr. e sua esposa Simone Alegreti de Avellar, sem vocês não teria conseguido efetuar minha inscrição e tudo isso teria ido água abaixo, agradecer pela parceria, companheirismo, pelos momentos de risada e por estes 10 dias na França.
-Agradecer ao mestre Rpd Raposa, por toda nossa logística e por partilhar toda sua sabedoria.
-Agradecer nosso fotógrafo Rafles Cabral, o cara da selfie kk. Carlos Reis,Fabricio Guarini, pelo pedal nos primeiros 200.
-Agradecer ao amigo Smy Oliveira, fera do pedal, nosso contra relógio nos 400 com certeza ajudaram neste tempo.
-Agradecer nossa marrentinha Silvia Oliveira, sexo frágil, isso não existe no randonneur, mulheres muito bem representadas.
-Aos amigos Edison X. DungaPaulo Gouveia, Paulo Lowenthal (Todynho),Emerson Dos Santos OliveiraHamilton Dinarte, Andréia.

Apesar de ser uma prova de auto suficiência percebe-se que sozinho dificilmente um randonneur chega as longas distância. Apesar da auto-suficiência, percebe-se que os amigos são nossa maior motivação para seguir em frente.





Resultados : 8º melhor tempo entre os brasileiros

Tempos finais: